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Memorial de Relatos

Esse espaço reúne relatos de moradores da Zona Norte do Rio de Janeiro que convivem diariamente com a violência urbana. Mais do que estatísticas, essas histórias revelam experiências reais.

Mais do que acontecimentos. Eles revelam sentimentos reais.

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João Pedro, 20 anos

Motorista de aplicativo

Eu já passei por várias situações de risco, principalmente em comunidades. Uma vez entrei em um lugar e a passageira não avisou que era comunidade. O lugar também não parecia ser. Quando entrei, um criminoso me abordou colocando a arma na minha cara enquanto dizia: ´Tu tá maluco? Tira a porr@ do capacete´. Ele continuou dizendo que se eu desse mole atiraria na minha cara.

Esse é o tipo de situação que nós, motoristas de aplicativos, passamos. E, as vezes, é por uma corrida de dez reais.

 ” 

Matheus, 30 anos

Morador do chapadão

Uma vez o caveirão entrou e eu não consegui trabalhar. Estava rolando muito tiro e eu não quis descer de casa. Depende da época também. Tem épocas que eles querem entrar, e sempre que acontece, tem muito tiro. [..] Não tem como fugir assim da violência.

Eu tenho uma moto elétrica, e configurei para andar mais rápido, porque ela ia a 32 quilômetros por hora. Se eu ficasse andando nessa velocidade, qualquer pessoa correndo do meu lado teria a capacidade de me assaltar.

 ” 

Anônima

Identidade não divulgada por motivos de segurança

Eu costumo sair de casa, apenas, para estudar, trabalhar ou resolver alguma coisa de extrema importância. Não gosto de sair à toa ou ficar de bobeira na rua, porque uma hora pode estar tranquilo, e em outra, pode ter um tiroteio. E até por ter ocorrido algo muito ruim comigo, sinto medo. [..] Sinto receio de ficar na rua. 

O que mais me marcou foi o medo que senti decorrente a uma situação perigosa. [..] A rua onde morava, estava cheia de cápsulas de balas espalhadas pelo chão.

Ver o meu pai com medo e quase chorando foi desesperador. Ver alguém que seria uma segurança pra mim, daquele jeito, foi assustador. Isso só mostra que esse tipo de situação traz insegurança para qualquer pessoa. Se foi um fato que trouxe uma sensação de morte real, até a pessoa mais forte pode se mostrar a mais frágil.

 ” 

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